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Acesso a mercados pela agricultura familiar é tema de painel durante a I Fenafes

ASSECOM/EMATER

“O Acesso a Mercados pela Agricultura Familiar: atores, instituições e perspectivas” foi o tema de um dos painéis apresentados durante a I Feira Nordestina da Agricultura Familiar e da Economia Solidária (Fenafes), que se encerra neste domingo (19), no Centro de Convenções de Natal.

Tendo como mediador o diretor-geral da Emater-RN, Cesar Oliveira, o painel reuniu pesquisadores, representantes dos movimentos sociais e agentes governamentais para discutirem quais os caminhos, estratégias e desafios para este segmento da sociedade obter espaço para a comercialização de produtos a um preço justo e competitivo.

O painel trouxe a experiência da Associação de Produtores e Agricultores da Feira Agroecológica de Mossoró/RN (Aprofam), através de sua representante Luana Clementino, apresentando quais as atividades desenvolvidas e como superar problemas, como o ocorrido durante pandemia de Covid-19, por exemplo.

A associação apostou no delivery de produtos, antes vendidos de forma presencial na feira livre. Porém, devido às barreiras sanitárias e ao confinamento da população, o atendimento online através de aplicativo de mensagens proporcionou essa nova maneira de comercialização. “Foi o período em que mais faturamos”, disse Luana.

Pela academia, o painel trouxe a representante do Laboratório de Estudos Rurais da UFRN, Simone Roseno, que abordou como diferencial da agricultura familiar a aproximação entre consumidores e produtores, principalmente em decorrência dos circuitos curtos, algo difícil de ser perceber em outras modalidades comerciais. “Nas grandes cadeias de alimento, consumimos produtos que vem de países como Israel, México, enfim, não conhecemos as pessoas que estão produzindo aqueles produtos, nem a forma como são produzidos”, disse a pesquisadora.

O Laboratório de Estudos Rurais da UFRN também apresentou uma pesquisa que mostra o perfil dos consumidores que buscam produtos orgânicos e considerados “premium” pela sociedade em geral. Esses consumidores não são pobres, nem negros e nem estão nas periferias ou fazem parte de algum segmento vulnerável da sociedade – que geralmente consomem produtos altamente processados.

No Mercado da Agricultura Familiar (antes denominado Central de Comercialização da Agricultura Familiar de Natal), por exemplo, um estudo feito com 100 consumidores apontou que 65% deles são mulheres, com mais de 40 anos de idade, 55% tem ensino superior, 18% tem pós-graduação, 61% são brancos e 50% tem renda entre seis e 10 salários mínimos.

“O que os faz buscar esse tipo de alimentação não passa exatamente por um projeto de sociedade que a agricultura familiar almeja construir. O maior motivador para isso é a conservação da própria saúde”, mostrou Simone Roseno. Ela acrescenta que a agricultura familiar possui um papel fundamental para conter a crise agroalimentar e a fome, que voltou a assolar o país e que hoje atinge 33 milhões de pessoas.

O painel foi concluído com a apresentação do coordenador de mercados da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar do RN (Sedraf), Emerson Cenzi, trazendo informações sobre a concepção do Programa Estadual de Compras Governamentais (Pecafes). “Não existe mais aquela ideia de que os agricultores familiares produzem apenas para o seu próprio sustento e comercializam o excedente. Hoje os agricultores familiares precisam entender o mercado e produzir o que se vende e não vender apenas o que se produz”, comentou Cenzi.

Através do Pecafes, o Governo do Estado do RN compra da agricultura familiar cerca de 50% dos produtos para serem utilizados na alimentação escolar, unidades de saúde, restaurantes populares e cestas básicas. Em 12 meses, foram adquiridos desse segmento cerca de R$ 8 milhões em produtos.

Postado em 20 de junho de 2022
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