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Emater e Uern realizam I Seminário Virtual Uso das TICs na agricultura familiar

Voltado para extensionistas, pesquisadores e pessoas ligadas aos movimentos sociais, a Emater-RN realizou hoje um seminário virtual em parceria com a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) para tratar de como as tecnologias da informação e comunicação (TIC) estão trazendo inovações para o mercado da agricultura familiar.

O seminário virtual “Uso das TICs na agricultura familiar viabilizando circuitos curtos e mercados justos” teve carga horária de 4 horas, ocorrido na manhã desta quarta-feira (18), a partir de um aplicativo de videoconferência.

O objetivo foi promover a sensibilização, mobilização e engajamento de profissionais e lideranças sociais da Agricultura Familiar, da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e da academia, na replicação de tecnologias apropriadas e experiências exitosas de produção e comercialização de alimentos saudáveis.

Durante o seminário, foi mostrado um caso de sucesso ocorrido em Mossoró após o início da pandemia provocada pelo novo coronavírus e que tornou necessário o isolamento social da população. A chamada “Vitrine Virtual”, desenvolvida pela Uern com apoio da Emater-RN e de alunos dos cursos de Administração e Ciências da Computação, a partir de um projeto de extensão, trouxe para um grupo de agricultores familiares, ligados à Associação de Produtores e Agricultores da Feira Agroecológica de Mossoró (Aprofam), a oportunidade de vender sua produção, mesmo durante a quarentena e as dificuldades em realizar feiras livres.

A presidente da associação, Luana Clementino, disse que logo após o início da pandemia, a maior preocupação do grupo foi não ter como vender. “Criamos a venda pelo WhatsApp e iniciamos a entrega em domicílio para os clientes”. Mas o projeto Vitrine Virtual trouxe mais dinamismo à proposta, incluindo outros setores da economia. De maneira prática, os clientes tem à disposição um catálogo de produtos, com mais de 50 itens com os preços e recebem suas cestas em casa. O pagamento é feito, na maioria das vezes, através de transferência bancária. Para a entrega, é cobrada uma taxa de R$ 5 para qualquer bairro de Mossoró, onde o serviço está disponível. Na primeira semana, conseguiram vender 60 cestas e hoje já tem mais clientes do que antes da pandemia, quando as vendas eram presenciais. “As pessoas estão mais em casa e, por isso, mais conectadas às redes sociais. A propaganda boca-a-boca tem nos ajudado muito e também podemos divulgar através das outras redes sociais”, comemorou Luana, lembrando que alguns agricultores conseguem lucrar até R$ 3 mil com a iniciativa.

A bióloga Daniela Florêncio, professora da Ufersa, é uma das consumidoras dos produtos da agricultura familiar através desse serviço e conta que após o início da quarentena, os hábitos da família mudaram. Se antes era comum se alimentarem fora, em restaurantes, agora estão cozinhando mais em casa e tendo mais atenção com o que compram. A preferência é por alimentos agroecológicos, sem uso de agrotóxicos e com menos chance de contaminação pois envolvem menos pessoas no processo de produção. “O serviço de entrega também nos aproxima mais do campo, pois podemos conhecer as pessoas que produzem esses alimentos e que vem deixá-los na nossa casa”, disse a professora.

O papel da Emater-RN, através do escritório regional de Mossoró, ao longo desse processo ligado à Aprofam foi prestar apoio e buscar parceiros. “Enquanto instituição, nossa preocupação foi como ficaria o agricultor familiar nesse período em que estamos vivendo. Nossa equipe local prestou apoio à associação e conseguimos resolver em conjunto o problema da comercialização”, comentou o gestor regional da Emater em Mossoró, Victor Hugo Dias. Para facilitar o trabalho do grupo, que não dispõe ainda de uma sede própria, a instituição cedeu uma sala em seu escritório para ser feita a triagem das cestas que são entregues semanalmente.

O projeto de extensão da Uern foi coordenado pelo professor Vinícius Claudino e iniciado no dia 15 de março de 2020, com o advento do isolamento social. “O extensionista da Emater, Luiz Carlos, que atua em Jandaíra, nos apresentou uma ferramenta simples, a Vendizapp, que caiu como uma luva para facilitar esse trabalho de vendas dos produtos, pois elaborar e visualizar listas de compras pelo WhatsApp era mais complicado”, comentou, durante o seminário. O projeto envolveu 10 alunos da Uern, que se empenharam no desenvolvimento da página, dando visibilidade para agricultores familiares e outros empreendedores do município. Com a divulgação na mídia, o número de acessos na página tem aumentado substancialmente. Essa tecnologia é complementada por outras, exemplificou o professor. “Os vendedores podem utilizar outras redes sociais, como o Instagram, para divulgar a Vitrine Virtual e utilizar o GPS para chegar ao endereço de entrega”, contextualizou. A ideia é fazer o projeto chegar a outras regiões do Rio Grande do Norte.

MERCADOS – O diretor geral da Emater-RN, Cesar Oliveira, é agrônomo e doutorando em Ciências Sociais, desenvolvendo pesquisa sobre “Construção social de mercados agroalimentares”. Durante o seminário, ele fez uma abordagem sobre os conceitos de mercado ao longo da história e o que move a escolha dos consumidores. “A gente não compra apenas porque é mais barato. Nossas escolhas envolvem também costumes, valores, normas. Produtos são portadores de ‘biografia social’ e os valores culturais dão sentido às nossas escolhas”, contextualizou.

Fonte: Assecom Emater

Postado em 19 de junho de 2020

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