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Parceria fortalecerá bacia leiteira do Médio Oeste Potiguar

Foto: Divulgação

Criadores de bovinos dos municípios de Janduís e Campo Grande, na região do Médio Oeste Potiguar, serão alvo de uma série de ações, com vistas ao fortalecimento da bacia leiteira local e estadual. A medida é fruto de Acordo de Cooperação Técnica e Financeira, assinado nesta quarta-feira (26), entre o Sebrae-RN e as prefeituras de Campo Grande e Janduís, na sede da produtora de queijos Laticínios Santa Terezinha, parceira na iniciativa. Com aporte de R$ 200 mil, a parceria beneficiará 41 bovinocultores das duas cidades.

A expectativa é que, num período de 4 a 5 anos, os produtores impactados possam aumentar em pelo menos 20% por cento a produção de leite com as gerações melhoradas geneticamente. Entretanto, como resultado imediato, observa-se o escalonamento da produção, pois produtor conseguirá antecipar o intervalo entre partos.

Para isso, o acordo prevê a realização de consultorias tecnológicas e/ou de gestão, bem como capacitações, por meio do Projeto Leite & Genética, desenvolvido pelo Sebrae RN e executado em parceria com o Instituto BioSistêmico (IBS).

A ênfase das ações está no melhoramento do padrão genético dos rebanhos e na ampliação da produtividade. Por meio das consultorias previstas, o Projeto Leite & Genética promove aos pecuaristas participantes o acesso a modernas técnicas reprodutivas, como inseminação artificial, com subsídios de até 70% do valor para os pecuaristas participantes. O restante será custeado pelas prefeituras e o Laticínio Santa Teresinha.

O diretor superintendente do Sebrae RN, José Ferreira de Melo Neto, participou da assinatura do acordo, em Janduís. Segundo ele, a ideia é, a partir da parceria, tornar as consultorias de origem tecnológica ou de gestão mais acessíveis aos criadores, de modo a melhorar a qualidade do rebanho e da produção.

“Essa cadeia é muito forte aqui na região e o trabalho que será realizado aqui vai trazer muitas melhorias, através do acesso à inovação e à tecnologia por parte do pequeno produtor local. Eles vão poder ter animais com mais qualidade genética e isso vai refletir na produção. O que vemos aqui é o encadeamento produtivo, através de uma parceria de bastante êxito”, observa.

De acordo com o consultor do Instituto BioSistêmico, Esley Lourenço, a metodologia do projeto contempla cinco atendimentos. São três relacionados à parte reprodutiva e duas de inseminação e sanidade animal, que engloba a análise do leite, vacinação, e análise do solo. O cronograma de ações prevê que as consultorias aos bovinocultores terão início em julho e têm duração média de quatro meses.

“Com esse trabalho, a gente quer aumentar a quantidade de leite do produtor, aumentar o lucro dele. Trabalhando essa parte reprodutiva e sanitária, os animais vão produzir mais e teremos mais animais produzindo. Sem contar com o melhoramento genético, que vem através da inseminação artificial”, detalha.

Foco no crescimento

Detentor do sexto maior rebanho bovino e quinto maior produtor de leite do Rio Grande do Norte, com cerca de 40 mil litros diários, o município de Campo Grande aposta na parceria com o Sebrae RN e a iniciativa privada para alavancar a atividade.

Segundo o prefeito Francisco das Chagas Vieira de Melo, “Bibi de Nenca” (MDB), além de apoiar toda a cadeia produtiva, a parceria, por meio do Projeto Leite & Genética, garante nova dinâmica à pecuária local.

“Esse projeto é importante não só por quebrar uma cultura nossa, de ter mais animais e menos produção de leite, mas impacta, especialmente, a qualidade do nosso leite para a indústria e a qualidade dos nossos animais. A cadeia toda é mobilizada, e a parceria estreita os laços para o bem da atividade, dos produtores e do município. Estamos muito felizes”, comemora.

Este é o segundo ano de atuação da parceria que viabiliza as ações por meio do projeto Leite & Genética em Campo Grande. No ano passado, 15 bovinocultores foram beneficiados pela iniciativa. Nesta nova etapa, serão contemplados 21 pequenos produtores de leite do município.

Expectativas

Caso de Hermínio Vicente, que enxerga na parceria e nas consultorias oriundas do projeto uma oportunidade de crescimento. A ideia, segundo ele, é dobrar a produção de leite nos próximos dois anos.

“Eu produzo atualmente 200 litros de leite todo dia, e com o conhecimento que vou adquirir e as técnicas que vamos ter acesso, quero chegar a 400 litros de leite por dia. Assim, eu vou vender mais para a fabricante de queijos e vou crescer”, prevê.

As expectativas promissoras também alcançam pequenos produtores de Janduís. Lá, um total de 20 criadores terão acesso às consultorias tecnológicas ofertadas pelo Leite & Genética. Entre eles está Fernando de Brito Júnior, que, com 21 animais em produção, pretende chegar a um novo patamar na produção leiteira.

“Tenho uma expectativa muito grande para melhorar geneticamente meus animais para conseguir ter uma média de produção suficiente não só para pagar a ração, mas para sobreviver bem da atividade”, sintetiza.

Referência

Presente ao encontro desta quarta-feira, o secretário de Agricultura de Janduís, Dário Arruda, elogiou a iniciativa que, segundo ele, deve se tornar referência em termos de resultados no estado.

“Nós aqui do Médio Oeste temos aptidão para a pecuária, e iniciativas como contribuem diretamente para que a atividade cresça ainda mais e se fortaleça, ganhando ainda mais destaque no Rio Grande do Norte”, frisa.

Ganha-ganha

Todos os 41 produtores participantes do projeto nos municípios de Campo Grande e Janduís são fornecedores do Laticínio Santa Teresinha. Na empresa, os cerca de 20 mil litros de leite fornecidos diariamente por eles e por outros produtores são transformados no queijo Matuto e em produtos destinados a programas governamentais, a exemplo do Programa do Leite.

Para o proprietário do Laticínios Santa Teresinha, Túlio Veras, a ideia da parceria é justamente fortalecer essa cadeia produtiva e promover um verdadeiro ganha-ganha entre os diversos atores envolvidos no processo produtivo.

“O nosso interesse na parceria é macro, pensando em todos. É um benefício no sentido de que vamos aumentar a bacia leiteira no Médio Oeste, com ganhos para o produtor, que produzirá mais leite com menos animais e terá mais rendimentos, e para nós, que temos um projeto de ampliação e precisamos de matéria-prima. Por isso investimentos em melhoramento, para que essa produção aumente e a gente consiga ampliar a fábrica e levar mais produtos Matuto ao mercado”, pontua.

Em todo o Rio Grande do Norte, já são mais de 35 mil animais nascidos por meio do programa, que, há 13 anos, atua de forma decisiva no fortalecimento da pecuária potiguar.

Postado em 27 de junho de 2024

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