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Reservatórios do Rio Grande do Norte não tiveram recarga

As chuvas que ocorreram nos primeiros dias de 2022 ainda não conseguiram reverter o cenário de perdas para os grandes reservatórios do Estado monitorados pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do RN (Semarh). A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Assu, tinha 46,79% de seu volume total no começo de dezembro. Agora, está com 44,84%.

A Lagoa do Boqueirão, em Touros, tinha 80,14% de volume no início do mês passado, e agora, segundo a Semarh, o volume é de 79,94%. A Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta e o Açude Itans, em Caicó, também estão com volumes menores atualmente. Passaram de 45,96% e 1,06% respectivamente (em dezembro), para 45,13% e 0,84%, respectivamente (em janeiro).

O chefe de meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot, explica que desde dezembro passado os índices de chuva do Estado estão acima da média, embora o balanço do mês ainda esteja em conclusão. Janeiro segue a mesma tendência. “Nesses primeiros 10 dias [de janeiro], temos alguns municípios com acumulado acima de 200mm, como é o caso de Venha Ver, no Alto Oeste”, detalha. “Para a próxima semana, temos previsão de chuvas fortes entre os dias 14 e 15, tanto no Litoral quanto no Oeste”, relata Bristot.

Ele também destaca o cenário em alguns municípios da região Agreste, que sofreu com a escassez de chuvas no ano passado. “Nesses 10 dias, em cidades como Nova Cruz, São José do Campestre e Santa Cruz, já choveu mais do que em todo 2021”, destaca.

A Semarh afirmou que, apesar de ainda não constatar aumento do volume da água armazenada nos reservatórios, a expectativa é de boas notícias para este ano. “Esperamos um inverno dentro ou acima da média, então, avaliamos [o cenário] de forma positiva”, disse a pasta.

O Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), por sua vez, destaca que “houve significativa reposição nos pequenos açudes” das regiões onde foram registradas chuvas, “com aumento de armazenamento em 12 dos 47 principais reservatórios monitorados” pelo órgão.

O coordenador de Gestão Operacional do Igarn, Antônio Righetto, comentou que o volume de água recebido pelo reservatório de Oiticica ganhou reforço. Segundo Righetto, o Estado ainda está dentro de uma quadra de estiagem, no entanto, declara, “as condições meteorológicas podem antecipar o período chuvoso e promover a recuperação dos volumes armazenados, até o fim da quadra [chuvosa] em julho”. Com as chuvas dos últimos dias, a barragem de Oiticica chegou a transbordar, o que permitiu o restabelecimento dos serviços de oferta de água no município de Jucurutu, conforme anunciado pela Caern que estava em sistema de rodízio.

Com a previsão de chuvas acima da normalidade, a perspectiva é de que os índices pluviométricos dos três primeiros meses de 2022 superem a média histórica desse período ao longo dos anos, conforme descreve Bristot.

De acordo com os dados da Emparn, a média histórica para o Oeste do Estado no primeiro trimestre do ano é de 390,7mm. Na região Central, a média é de 307,6mm; no Leste do Estado, o índice médio é de 319,0mm nos meses de janeiro, fevereiro e março de cada ano; e de 234,8mm, no Agreste potiguar. “Esperamos valores superiores a esses para todas as regiões”, pontua o meteorologista.

Otimismo
O bom cenário previsto para as chuvas no Estado é esperado, sobretudo, pela população rural, que aguarda pela chegada das águas para produzir. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), José Vieira, afirma que as perdas em 2021 foram enormes, especialmente para alguns setores, como a pecuária, por exemplo. A entidade está otimista com as perspectivas para este ano.

“Tivemos muitas perdas. Na agricultura não irrigada, elas foram de praticamente 100%. Quem sofreu mais foi a pecuária de leite e a pecuária de corte. Nós esperávamos que 2021 fosse um ano de bom inverno e fomos surpreendidos com um dos piores dos últimos anos”, descreve Vieira.

Agora, com a expectativa de mudanças, o presidente da Faern disse que é preciso que o agricultor fique atento para evitar perdas futuras. “Nosso alerta para os produtores é que eles só iniciem o plantio com a consolidação do inverno. Pedimos que tenham a preocupação de não iniciar o plantio com as primeiras chuvas”, orienta.

Tribuna do Norte

Postado em 11 de janeiro de 2022

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